segunda-feira, 16 de junho de 2014

CANTADA

Quando Carina deitou
Eu disse:
Oh, Carina, deixa-me tocá-la!
À sua resposta:
Ocarina! Deixa-me tocá-la.


CANTIDA

Quando Carina partiu
Eu disse:
Oh, Carina, deixa-me tocá-la!
Ao seu regresso:
Ocarina és o que tenho para tocar.






 


CHER

Das coisas difíceis:
Olhar para si como se olha
Alguém que se quer por perto,
Que sequer causa desconforto...


Dispensar - deixar de pensar o
que se tem pensado - o que se tem
falado ou dito
Se é o que sequer se quer.



segunda-feira, 2 de junho de 2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

CAIR EM SI (bemol)



Dilua-se, bela flor,
De lua se minha for,
De lua se for má
Dilua-se formol.
De lua decidiu
Diluir se quiser,
Diluir-se, quis Zé,
E iu.
Diluiu cidade
Diluiu verduras
Diluiu verdores, verdades,
Maldades e duas:
Duas medidas de dores desmedidas.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

LIQUIDEZ

Morrer:
Tão fácil
Quanto existir.
Liquidar-se:
Tão pesaroso
Quanto manter-se vivo.
Lida diária: tentar consegui-lo...

Vendo flores, árvores,
Vida vendo.
Flores - filtro de papel,
O pó teu mal e bem - perfume e mácula.
Árvores - pai e mãe,
Vem dados, vendidos.
Vida, boa vida:
Vendo-a e vendo-a.


quinta-feira, 10 de abril de 2014

CRIME PASSIONAL



Repouso aos olhos o esboço,
Os traços imperfeitos que és ainda,
Posto que ver-te não é rotina
Nem de comum beleza o teu rosto.

Recorro à memória, antes que aniquilado
Gravo, recorto, analiso um ângulo outro de prestígio,
Assim mesmo, mal assimilado, aceito:
És passível de registro!

Na tentativa urgente de eternizá-lo
Separei telas – sem abalo - , criei cores – poucas tintas –
Compenetrada (ar)risquei sem precisão:
Reduzi a beleza a infiéis linhas...

Tomei nota – pintar é tomar nota do que se vê –
Tomei tento, juízo e um Bordeaux
Aos pincéis, frustrados, que acusam meu delito
Lanço um olhar à la Frida, calo e só ferida.


quinta-feira, 6 de março de 2014

O GOLPE - Es'Piano tuas mãos

"(...)your skin and bones
Turn into something beautiful" *

Todos sabem sobre mãos
Mas, que sei eu das tuas?
Ossos, unhas, dedos, mús(icas)culos, poesia.

O que delas conheço não basta,
É preciso olhar de perto, mesmo longe
Tocá-las sem senti-las
Já mortificadas relembrá-las
Com admiração tanta ao vigor
que delas vem
Para que eu seja mais equilíbrio e menos saudade.

Posto que me apetece estar, mesmo que furtivamente,
Sobre estas mãos,
Que seja piano, que seja pianíssimo! 






*MARTIN, Chris; BERRYMAN, Guy; BUCKLAND, Jon; CHAMPION, Will. Yellow. In: Coldplay. Parachutes. Reino Unido: Parlophone, 2000. 1 CD. Faixa 5.